Numa nota enviada à Lusa, o sindicato que representa os inspetores do extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e que atualmente trabalham na PJ defende que os profissionais da Polícia Judiciária que investigam e combatem o tráfico de pessoas e a imigração ilegal devem ter acesso direto às bases de dados com que trabalhavam no seu antigo serviço.
Só desta forma, segundo o sindicato, a PJ poderá “ser mais eficaz no combate às redes de traficantes e exploradores e na libertação e proteção das vítimas da sua atividade criminosa”.
Com o fim do SEF, em outubro do ano passado, as bases de dados começaram a ser geridas pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), no que diz respeito à documentação para obter uma autorização de residência e tudo o que serve de suporte para a emissão de documentos aos imigrantes, e pela Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros, que opera sob a autoridade do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna e tem as bases de dados da polícia e do controle de fronteiras.
“Parte da eficácia da investigação no SEF resultou de ter, sob a mesma entidade, todas as informações relativas à viagem de cidadãos estrangeiros em Portugal: entrada, alojamento, permanência, relações de trabalho, pedidos feitos, a documentação apresentada, os documentos emitidos e a saída do território nacional”, disse à Lusa o presidente do SPIC-PJ, Rui Paiva.
Segundo o sindicato, a eficácia também resultou da possibilidade de os inspetores analisarem e combinarem todas as informações disponíveis, detectando padrões de anormalidades que, em muitos casos, levaram à conclusão de que certos cidadãos estrangeiros estavam sendo explorados por organizações criminosas.
Acesso direto
“O que aconteceu com a transição de ex-inspetores do SEF para a Polícia Judiciária é que uma das ferramentas mais importantes que eles tinham foi retirada deles: acesso direto a toda a informação que pertencia ao SEF”, disse Rui
Paiva.O dirigente sindical sustentou que “sem acesso a essas informações e à respectiva documentação, é agora impossível assegurar na Polícia Judiciária os níveis de excelência que tornaram Portugal famoso, tanto na investigação do crime organizado e transnacional associado ao tráfico de pessoas como na proteção das vítimas”.
O SPIC-PJ também contesta “aqueles no Governo que defendem que os inspetores da PJ simplesmente peçam à AIMA ou ao Sistema de Segurança Interna as informações ou documentação de que precisam, entidades que agora operam as antigas bases de dados do SEF, que estão sendo atualizadas com novos dados todos os dias”.
“Qualquer pessoa percebe que é muito diferente ter acesso direto às bases de dados, e poder pesquisá-las livremente, ou enviar um 'email' formal para a AIMA ou a SSI, com um pedido, esperar vários dias e depois receber pouca informação precisa de alguém que a coletou sem realmente saber o que estava procurando”, disse Rui Paiva.
Para o presidente do sindicato, esta situação “não serve os interesses nacionais da União Europeia” e “muito menos imigrantes”, beneficiando “as redes mafiosas que exploram estrangeiros em Portugal”.